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		<title>Bira e as Safadezas...</title>
		<link>http://upassos.blog.terra.com.br</link>
		<description>Putarias, medita&#231;&#245;es, reinas e narrativas de um anarquista heterodoxo</description>
		<language>pt-BR</language>
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			<title>ALERTA AOS LEITORES</title>
			<description>    Estou migrando este blog para o provedor &#34;Wordpress&#34;, que possui recursos de edi&#231;&#227;o e estat&#237;sticas bem mais desenvolvidos que o Terra Blog. Assim, a partir de hoje, os fi&#233;is leitores poder&#227;o encontrar todo o conte&#250;do deste blog, e os futuros posts, no endere&#231;o upassos.wordpress.com    Nele, al&#233;m das categorias tradicionais deste blog, os companheiros poder&#227;o encontrar novas se&#231;&#245;es e uma apresenta&#231;&#227;o muito mais &#225;gil e est&#233;tica.
Ubirajara Passos
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			<link>http://upassos.blog.terra.com.br/alerta_aos_leitores</link>
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			<title>O SONHO DO PE&#195;O</title>
			<description>E assim, perdido pelos campos, Ele n&#227;o sabia, No meio da vida, O que era a vida, Nem o que seria. Ainda levava Na melena rala A mem&#243;ria velha Das brisas de outonos,Ainda sonhavaCom mulheres-on&#231;as,Tesudas panteras,Gatas enroscadas Ronronando doce.E em sonhosEle se perdia Pelas madrugadas,&#205;nsone teatino, troteando no c&#233;u, Procurando estrelasPerdidas, sem rumo,Brilhantes peda&#231;os de beleza e gozo.Ele se perdia Na paix&#227;o da lua, Misteriosa f&#234;mea Que o hipnotizava.Ele se entregavaA estranhas aurorasQue rubras bucetasDa cor de coraisN&#227;o igualariamNos gozos dos corposAo orgasmo da mente,Ao prazer do olhar!Ele imaginavaUm mundo sem beiras,Um tempo parado,Uma gente sem peias,E diziam-lhe &#34;os s&#233;rios&#34;,Os &#34;bem-comportados&#34;:Tu est&#225;s louco, homem,Nunca houve esta coisa De animais humanosSoltos pelo mundoMandando em si mesmos. A regra &#233; diversa E dela &#233; precisoQue obede&#231;amosTodos os preceitos.H&#225; chefes e donos,Bar&#245;es, baronetes,H&#225; gr&#227;o-sacerdotes,H&#225; os camaradasAconselhadores,O velho partidoDa ci&#234;ncia revolucion&#225;ria.Conforme as formigas,Viva, tch&#234;, conforme.Sejas, coletiva,Ferramenta informe, Que a ti n&#227;o importamQuem sejam teus chefes.Tu foste parido,Ser &#237;nfimo e pobre,Incapaz de ti, Para nos servir.Ontem fomos reis,Senhores feudais,Escravistas novos,Fascistas vermelhos.N&#243;s fomos fil&#243;sofos,Cientistas pol&#237;ticos,Fomos psicol&#243;gos,At&#233; antropol&#243;gos!De ti entendemosTudo o que nos dais:A rever&#234;ncia burra,A cren&#231;a sem cr&#237;tica,O desamparo &#225;vidoDe instintos filiaisE a ambi&#231;&#227;o das bestasDe maior ra&#231;&#227;oE menos relhadas No lombo fodido!Hoje somos, pr&#243;ximosTua pr&#243;pria &#34;consci&#234;ncia&#34;,Que entra todos diasEm tua mente vadia,Na tela de vidro,(A tal de TV)!E o qu&#235;ra sem rumo,Um sep&#233; de hoje em dia,&#205;ndio e europeu, N&#227;o sabia maisO que responder &#192;s gralhas do mundo,Nem o que escolherEntre tantos senhores!T&#227;o perdido estava Que na noite achou-se:Depois da erva-mateVeio-lhe a cacha&#231;a.Sonhou como os &#237;ndios,Tornou-se um xam&#227;.Entrou nos del&#237;riosDe druidas e bruxosE &#224; mente lhe veioUma incerta resposta, T&#227;o incerto &#233; tudo,Mas que o satisfez:Velho companheiro,De eternas jornadas,Tu &#233;s s&#243; mais umQue sofre teu s&#233;culo.Logo a terra brutaLevar&#225; tua carneE mais uma vezTu renascer&#225;sNa pedra, na &#225;rvore, Homem ou animal!Breve &#233; tua estadaNo mundo consciente,Breve &#233; tua vida.Como tu, n&#227;o existePerpetuidade nos teus elementos!O que hoje te forma,At&#233; os calos do p&#233;,Amanh&#227; ser&#227;oOs olhos castanhosDa f&#234;mea mais lindaOu a bosta gigante De um elefante!Vive a &#34;tua&#34; vidaE n&#227;o deixes que os outrosTe imponham deveres,Limites, recalques,S&#234; tu, s&#243; tu mesmo,Que &#233; &#34;&#250;nica&#34; a vez que vens ao universo!Gravata&#237;, 20 de abril de 2007
Ubirajara Passos</description>
			<link>http://upassos.blog.terra.com.br/o_sonho_do_peao</link>
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			<title>DESENCANTO</title>
			<description>&#160;&#160;&#160;&#160; Embora algumas id&#233;ias para postar no blog me passem raspando pelos cornos, a verdade &#233; que n&#227;o tenho o menor saco de parir algo novo. Assim, publico o poema abaixo que, al&#233;m de exonerar da obriga&#231;&#227;o de escrever, &#233; um espelho fiel do meu humor nas &#250;ltimas semanas.
DESENCANTODe que me vale o canto revolucion&#225;rio,O l&#237;rico encantamentoDas coisas e dos seres?De que me vale o sentido &#237;ntimo e profundoDa beleza e do mist&#233;rioDe um campo solit&#225;rio e desolado,De verdes prados em tarde enuviada,Da ventania que, g&#233;lida e arisca,Na sua infinda jornada,Cavalga os campos, tudo a arrastar?De que me vale o enlevo do universoNa solid&#227;o das noitesEstreladas ou de luar?De que me vale conhecer da HumanidadeProfundas as mazelas em que imerge-se,Nos turbilh&#245;es dos temporais da vida,Perdida, sem farol, a navegar?De que me valem os &#237;mpetosDe rebeldia, buscando levantarDo ins&#243;lito sono crepuscularAs consci&#234;ncias desde muito adormecidas?Se sou &#8220;uma voz que clama no deserto&#8221;?Se n&#227;o ouvem meus gritos, at&#233; fatigar?Se a tempestade avassaladora da inconsci&#234;ncia,Da falta da Raz&#227;o, de Liberdade,A tudo envolve e teima em arrastar?Se a pr&#243;pria vida, em suas terr&#237;veis roscas,Tudo esmaga e a mim mesmoEnvolve nas vagas  frustradoras De seu imenso mar?Gravata&#237;, 10 de junho de 1990Ubirajara Passos
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			<link>http://upassos.blog.terra.com.br/desencanto</link>
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			<title>UMA REINA AMOROSA</title>
			<description>&#160;&#160;&#160;&#160; Na volta de S&#227;o Paulo, onde estive em 25 mar&#231;o (no Encontro Nacional em defesa da aposentadoria e dos direitos sociais, sindicais e trabalhistas) pela caravana do Sindjus-RS e da Conlutas (mais de 6.000 trabalhadores lotando o gin&#225;sio do Ibirapuera e dispostos a resistir aos ataques do fascismo lulista), tive uma paralisia do nervo radial do bra&#231;o direito, que s&#243; ap&#243;s passar por dois hospitais e uma competent&#237;ssima neurologista&#160; (Mariana Dagnino Araujo) me convenci ser mera les&#227;o local, decorrente de dormir pressionando o bra&#231;o contra o banco do &#244;nibus, na mangua&#231;a. 
&#160;&#160;&#160;&#160; Mas a tens&#227;o gerada pelo epis&#243;dio (imagina acordar com a m&#227;o direita dormente, sem for&#231;a e sem condi&#231;&#245;es de motricidade fina nos dedos menores que o indicador?), aliada &#224; depress&#227;o que ando curtindo, os dias passados em torno de exames m&#233;dicos e uma quase-broxada que dei com a gata preferida (resultado de ressaca e outro ataque de nervos que narro outra hora), simplesmente me afastaram completamente deste blog, cujas visitas di&#225;rias despencaram ao fundo do abismo.
&#160;&#160;&#160;&#160; Assim, para dar alguma distra&#231;&#227;o &#224;queles leitores que ainda tenham algum interesse no que escrevo (que espero se tornar melhor &#224; medida em que avance o tratamento anti-depressivo) e aos que andam desiludidos com suas buscas amorosas, publico o poema pessimista abaixo, que um dia h&#225; de deixar de ser realidade.
Apenas Vultos Por quantas sombras sofri, Por quantos olhos Que prometiam fogos al&#233;m do conceb&#237;vel; Por quantas almas de fasc&#237;nio imprevis&#237;vel, Por quanto gozo f&#237;sico incomum Ardi nas chamas da &#8220;paix&#227;o sem freio&#8221;? Como sofri, apartado do amor, Da encarna&#231;&#227;o do sublime, Dessas mulheres arrebatadoras? Quanto gastei em reais e madrugadas Na busca do sagrado feminino Pra descobrir que tudo &#233; &#225;rida terra! Gravata&#237;, 29 de maio de 2005. 
Ubirajara Passos</description>
			<link>http://upassos.blog.terra.com.br/uma_reina_amorosa</link>
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			<title>QUATRO DOIDOS PERDIDOS NA TR&#205;PLICE FRONTEIRA 7</title>
			<description>&#160;&#160;&#160;&#160; No &#250;ltimo dia na Argentina (ter&#231;a-feira de carnaval), sa&#237;mos de Posadas j&#225; passado das 10 h (o original&#237;ssimo rel&#243;gio &#34;Orenete&#34; do Valdir marcava 9 h 30 min...) e, deixando para fazer as compras em Ober&#225;,&#160;nos deparamos, a cada passo, com a inflex&#237;vel institui&#231;&#227;o da &#34;siesta&#34; (que come&#231;a ao meio-dia em ponto e se estende, durante a semana - pois no domingo &#233; p&#237;or) at&#233; as 4 horas da tarde.
&#160;&#160;&#160;&#160; Tanto no shoping de roupas Oscar, quanto no Supermercado &#34;El Condor&#34; (que fecha &#224; 1 hora da tarde) fomos praticamente corridos por um atendimento impaciente e carrancudo, o que n&#227;o me impediu de comprar uma camisa e uma bermuda argentina na loja e alguns livros do Nietzsche e uma colet&#226;nea de autores anarquistas em castelhano.
&#160;&#160;&#160;&#160; Mas o c&#250;mulo da intoler&#226;ncia, da falta de acolhimento e da cretinice se deu no restaurante do Cassino. Est&#225;vamos nos servindo (cerca de 1 h&#160;45 min da tarde, pois a &#34;siesta&#34; do Cassino fecha &#224;s 14 h), quando nos interpelou um gar&#231;om para nos avisar que o estabelecimento fecharia logo e que t&#237;nhamos quinze minutos para comer! N&#227;o, n&#227;o me entendem mal os leitores: n&#227;o &#233; que o bif&#234; fosse recolhido em quinze minutos e t&#237;vessemos tempo de, servidos, almo&#231;ar sem preocupa&#231;&#245;es. A afirma&#231;&#227;o significava aque, chegadas as 14 h, tendo ou n&#227;o terminado de almo&#231;ar, ter&#237;amos de sair correndo.
&#160;&#160;&#160;&#160; Invocado com o autoritarismo burocr&#225;tico do &#34;estabelcimento&#34;, quando fui ao banheiro, fiz quest&#227;o de mijar na pia. E, tendo contado o meu ato ao Rog&#233;rio, este, por sua vez, mijou no cesto de pap&#233;is higi&#234;nicos. Estava vingada a honra brasileira e rio-grandense do desaforo castelhano. Uma hora depois retorn&#225;vamos ao Brasil (Santa Rosa, Rio Grande do Sul) e, ent&#227;o, nos parecia que n&#227;o havia passado apenas tr&#234;s, mas v&#225;rias semanas fora de casa.
&#160;
Ubirajara Passos</description>
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