Bira e as Safadezas...

Putarias, meditações, reinas e narrativas de um anarquista heterodoxo

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Arquivo de: Outubro 2006

29.10.06

LULA SE REELEGEU: SÓ NOS RESTA DERRUBÁ-LO

     Antes que algum leitor "democrático e de bom-senso" tenha um ataque com o título acima, é preciso mencionar que a "democracia" brasileira pode corresponder à vontade majoritária e inquestionável da maioria de seu povo (o que é muito duvidoso, já que este negócio de urna eletrônica à prova de fraudes é rídiculo - qualquer um que entenda um mínimo de computação sabe que a fraude se torna mais eficaz, pois é mais difícil de fiscalizar do que o voto de papel) sob o ponto de vista da formalidade, mas da não vontade livre e efetivamente "consciente".

     A grande maioria da população trabalhadora vive e vota conforme os condicionamentos que a hipnose diária da mídia lhe impõe. Tivesse a oportunidade de questionar por um único instante o seu quotidiano e as "instituições" que lhe definem  o destino e não estaríamos assistindo à comédia trágica deste dia. O povo brasileiro, ao invés do velho mito dos intelectuais elitistas não padece por ser malandro e vagabundo, mas justamente por estar apegado ao máximo ao bom comportamento, ao cumprimento das regras e da moral que lhe impõe a classe dominante; ao respeito por qualquer canalha que detenha um grão de poder e represente a autoridade, tamanho é o medo de liberdade (sinônimo de caos e "fim do mundo") que lhe é incutido desde a mais tenra infância. E é este apego ao bom-mocismo e horror à rebeldia que o mantém aferrado à vida de cão vira-lata.

     Só esta índole (que é filha da moral autoritária e das manipulações psicológicas mais torpes e refinadas praticadas pela toda poderosa mídia eletrônica, a nova religião messiânica dos nossos dias) explica que este povo tão cioso do cumprimento às regras morais, reeleja, identificado com ele na sua frustração diária, o reizinho D. Luís Inácio. Justamente o homem que se deu ao desplante de se apropriar da renda pública gerada pelo suor deste mesmo povo para praticar a mais requintada patifaria da História do Brasil.

     Os deputados de partidos da direita (de PMDB e PP à PL e PSDB, passando por PFL e PTB) foram eleitos para servir aos interesses da classe dominante e manter o voto popular afastado dos que realmente possam defender os interesses dos trabalhadores. Sua missão é aprovar os projetos que venham ao encontro da vontade do capital nacional e multinacional, elaborados nos pomposos gabinetes do patife-mor do Executivo, o Inácio. Mas a sem-vergonhice tomou uma sofisticação tal que os representantes da sacanagem burguesa fazem beicinho e chantagem com o chefão da corja e exigem uma mesada (o mensalão) para votar projetos de seu próprio interesse (e de seus financiadores).

     Descoberto o esqueminha de sacanagem premiada, o seu próprio idealizador e comandante, o chefe da quadrilha, Inácio dos nove dedos, faz beicinho maior ainda e (em trejeitos de dar inveja a Dom Corleone, o poderoso chefão) balbucia inocentemente; "eu não sabia de nada"! E o rebanho amedrontado das ovelhas trabalhadoras, apavorado com os desígnios severos do "papai do céu", frustrado, mas incapaz de rebeldia (que isto é coisa de mal-feitores e bandidos)  choraminga e vai se encolher no colo do pai protetor (o cafajeste do Inácio), lhe dando mais um mandatinho.

     É claro que a vitória do Geraldo significaria a implementação das mesmas "reformas" que os ricos daqui e "d'além-mar" exigem para que o Brasil se converta definitivamente num criadouro e santuário a serviço de suas necessidades de lucro, exercício sádico do poder e, sobretudo, das reservas de minerais, bio-diversidade e água potável que americanos e europeus necessitarão para continuar sua farra, a custa do sacrifício dos nossos lombos.

     Mas a vitória do Inácio, longe de ser espelho de uma democracia inexistente (pois não há deliberação consciente e questionadora na maioria do eleitorado, mas condicionamento e manipulação psicológicos), significa exatamente a consecução do plano imperialista através da implantação de um Estado Forte, que acabará por suprimir as últimas possibilidades de divergência e exercício precário da mínima liberdade de manifestação e ação política que possuímos. O caráter histérico do fascismo petista (com o qual se identifica a massa frustrada e acomodado ao poder) encontrará na colaboração da própria burguesia liberal, e dos tantos incautos pobres adeptos do messianismo do Inácio, as condições necessárias para estabelecer um verdadeiro regime de terror, e sepultar de vez qualquer possibilidade "democrática" de alteração dos rumos do Brasil a favor de seu próprio povo.

     Quando o povinho humilde que apóia o novo Luiz Napoleão (não o sobrinho do imperador corso, mas seu clone sul-americano, o Lulinha) se der por conta da revogação de seus últimos direitos garantidos em lei e se ver à mercê total dos patrões, sem direito à férias, 13º salário, aposentadoria ou jornada de trabalho limitada, será tarde demais!

     Assim só resta aos últimos brasileiros conseqüentes tomar as ruas para derrubar D. Lula. E, neste ato de redenção necessária, todos os métodos são válidos: se a oposição burguesia não encaminhar o "impeachment" que já deveria ter sido votado, cabe o protesto e a exigência de renúncia e até a revolução a pau e pedra! O Brasil não pode continuar, para a eternidade, a ser "um moinho de queimar gente para adoçar a boca de europeu", como o saudoso Darcy Ribeiro definia o processo colonial.

28.10.06

LULA, O HITLER BRASILEIRO

     Apesar de seu passado pretensamente vermelho, o "ator" político Luís Inácio (devidamente treinado nas escolas yankees da CIA), revelou-se, em seus quatro anos de governo, tão burguês e entreguista quanto os demais chefões da direita nacional, tal como Fernando Henrique Cardoso (seu coleguinha da causa americana), Sarney, Delfim  Netto e Collor de Melo ("casualmente" seus apoiadores) e seu atual oponente às eleições presidenciais.

     Elevado à presidência na esperança popular de um governo de esquerda, que arrancasse o povo trabalhador da miséria e da opressão, através de empregos e salários dignos, o Inácio mostrou-se mais "radical" que muitos de seus antecessores burgueses (como Itamar, Juscelino e o próprio Sarney), mantendo o salário mínimo nos níveis de fome canina e dificultando, a ponto de quase extinguir, a aposentadoria da peonada do funcionalismo público, através do aprofundamento da Reforma Previdenciária aprovada por FHC.

    A política econômica recessiva e monetarista continuou a escravizar o Brasil ao pagamento da agiotagem dos grande banqueiros internacionais e o resultado, apesar da propaganda em contrário, é o desemprego avassalador. E se a política de privatização de empresas públicas nacionais, como a Vale do Rio Doce e Cia. Siderúrgica Nacional, não prosseguiu na mesma velocidade de FHC, não houve a menor revisão das privatizações ocorridas no período anterior, que se esperaria de um governo dito "socialista" e "nacionalista".

     A própria retórica (tipicamente fascista, a la UDN e Carlos Lacerda) do moralismo "ético e cidadão" esboroou-se na prática da mais descarada corrupção, movimentando montanhas de milhões de reais para comprar o voto de deputados e senadores de direita para aprovar projetos de lei de interesse da própria direita!

     Mas há algo que diferencia o Luizinho de seus amiguinhos burgueses, embora esteja a serviço da mesma classe dominante que eles e dos mesmos interesses multinacionais. É justamente a vocação autoritária de quem pretende convocar Constituinte exclusiva, formada por notáveis, no próximo ano, para outorgar a carta magna que deseja para o Brasil, que o aproxima do falecido ditador fascista Benito Mussolini (o qual, antes de fundar o partido da histeria, os "camisas negras", fora membro do Partido Socialista Italiano, de cujo jornal, o "Avanti", era o redator-chefe antes da primeira guerra mundial).

     A tentativa de manietar a já bastante tendenciosa imprensa brasileira com a instituição de um Conselho Nacional, cuja verdadeira função seria a "censura" revivida e legalizada; a sanha característica dos governos petistas em controlar cada detalhe da vida de seus "súditos" não deixam dúvidas. O PT e o Inácio não são apenas direitosos comuns, mas fascistas! A própria histeria moralista é característica do fenômeno definido pelo psicólogo Wilhelm Reich como "peste emocional" e que corresponderia à compulsão totalitária e destrutiva de massas humanas (e seus dirigentes) a um comportamento anti-prazer e anti-liberdade, responsável pela opressão e coisificação inumana da classe trabalhadora nos últimos seis mil anos. Peste esta de que o regime nazista era a expressão política concreta levada ao poder.

     A reeleição de Luís Inácio envolve, portanto, muito mais do que a continuidade da política direitista nos rumos do Brasil. Mas estabelecerá uma ditadura concreta, capaz de cercear (com maior intensidade do que a estabelecida no 1º de abril de 1964) os mínimos direitos de expressão, organização política, crítica e movimentação social de que ainda, precariamente, gozamos.

     Um segundo governo petista significará a presença de um "inquisidor" raivoso em cada esquina - tão corrupto e safado quanto o seu chefinho Lula, mas sequioso (como o mais cretino beato) da "moral" autoritária e pronto a denunciar e prender quem quer que não reze pela cartilha petista do bem-estar  (que se resume a devolver migalhas ínfimas do que é roubado dos trabalhadores e desempregados sob a forma de esmolas, como o "bolsa-família" e o "luz-para-todos", enquanto ajuda patrões e banqueiros a massacrar o rebanho passivo e identificado com a sua "moral" histérica).

     Não apenas veremos desaparecer direitos sociais mínimos, com o 13º salário, férias, jornada máxima de 44 horas semanais (o que significará praticamente a revogação da "Lei Áurea"), como o menor suspiro de inconformidade será controlado e "punido" pelos asseclas do novo Adolfo Hitler: Lula o homem dos nove dedos (já imaginaram se tivesse os dez?).

27.10.06

LULA, O 'PEDAGOGO DEMAGOGO'

     Por Ubirajara Passos. De volta a Gravataí, mas ainda de folga.

 

     O agente da CIA Luiz Inácio, entre outros tantos programas assistencialistas e clientelistas, apresenta como grande feito de seu governo o Pró-Uni, que daria cabo da injusta falta de acesso dos "pobres" ao ensino universitário. O dito programa consiste na doação de bolsas de estudo para estudantes cursarem faculdades particulares. Ou seja, o suado produto do nosso trabalho que é arrecadado para a União em forma de tributos é "caridosamente" destinado à "empresas" de ensino superior da iniciativa privada, sob a desculpa cretina do subsídio aos universitários carentes.

     O que o Inácio não diz é que não haveria a menor necessidade do governo federal repartir o bolo do dinheiro público com universidades privadas, além dos deputados mensaleiros e sanguessugas, para dar acesso pleno ao povão oprimido ao ensino superior. A União possui Brasil a fora, por praticamente todos estados, universidades públicas de categoria, cuja receita vem exclusivamente dos cofres federais. São exemplos fantásticos no Rio Grande do Sul as universidades de Santa Maria e a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) de Porto Alegre.

     Entretanto, basta percorrer os corredores de tais escolas para verificar que quem lá estuda, em 95% dos casos, são os "filhinhos de papai" da alta classe média e da burguesia nacional. Isto porque, se utilizando do exame vestibular como forma de "seleção" para ingresso, tais instituições só são acessíveis a quem tiver grana para pagar os mais caros cursos preparatórios, tal a dificuldade das provas. Isto sem falar nos horários de aula que, se estendendo pelos dois ou três turnos para um mesmo aluno, inviabilizam a possibilidade de um trabalhador que rala oito ou mais horas por dia freqüentá-las, quando, por milagre, passa no vestibular.

     Para resolver o problema bastaria estabelecer uma política de "quotas" ao contrário. Ou seja, estabelecer - ainda que se mantenha o exame prévio para ingresso - que para entrar nas universidades públicas os estudantes não possuam renda maior que uns R$ 1.600,00 por mês (o salário mínimo do Dieese) e comprovem a condição própria, ou de seus pais, de assalariados de baixa renda. Quanto aos horários, na remota hipótese de ser impossível adaptá-los aos dos horários comuns de trabalho (com a ênfase nos cursos noturnos), seria mais útil destinar o valor que é repassado pelo Pró-Uni (em forma de bolsas) aos negociantes donos de universidades privadas  aos estudantes pobres que não pudessem trabalhar, pagando-os para estudar na faculdade, como se faz nas nações imperialistas européias, por exemplo.

     Mas como a real prioridade do Lulinha não é dar acesso amplo à educação em todos os níveis ao povo que o elegeu e sustenta seu caviar , ele prefere manter faculdades do governo federal para ensino gratuito dos filhos dos ricos e pagar faculdades de propriedade dos burgueses com dinheiro público, a pretexto de comprar vagas para os estudantes "pobres" (os trabalhadores que sustentam a sacanagem de patrões, fofos governantes e apaniguados em troca das mais ínfimas migalhas). Viva Inácio, o Santo Padinho redentor dos brasileiros!

21.10.06

LULA, O CAPACHO DA BURGUESIA

 Por Ubirajara Passos, direto de Santa Rosa-RS, onde curte férias.    

   

     Em 1954, meses antes de seu suicídio, Getulio Vargas se via obrigado a demitir o ministro do Trabalho João Goulart devido às pressões histéricas de militares fascistas diante da proposta de dobrar o valor do salário mínimo então vigente. Mas, mesmo demitindo Jango, decretaria o novo salário mínimo (cujo valor corresponderia, em termos de poder de compra, hoje, a aproximadamente R$ 1.800,00).

      Dez anos depois o ex-ministro, agora Presidente da República, assinava, no comício de 13 de março, decreto que desapropriava as terras ao longo das rodovias federais para iniciar, dentro dos marcos permitidos pela conservadora Constituição de 1946, a Reforma Agrária, e era deposto no seguinte, e nada bobo, 1º de abril.

     Pois o Inácio, que sempre sentou o pau, a torto e a direito, em Getulio, Jango e em Brizola, no antigo PTB e no PDT, tem hoje a cara de pau de alardear,no horário eleitoral gratuito, sua grande obra social: a elevação, nos 4 anos de mandato, do salário mínimo em 26% (chegando à cifra cretina de R$ 350,00) e a instituição da "esmola oficial" (o bolsa-família)!

     Ou enlouquecemos todos, os brasileiros com um mínimo de sensatez e raciocínio lógico habitando o cérebro, ou Lulinha nos acha uns imbecis completos, prontos para receber as asneiras que caga para o consumo da grande "massa" de trabalhadores desempregados e levados à miséria justamente pela sua linda política!

     O PT sempre denunciou o "caráter fascista" da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) promulgada por Getúlio (que, é verdade, mal garantia os direitos mínimos de condições de trabalho e remuneratória para aqueles que conseguiam empregos de "carteira assinada"), mas o governo do Inácio, ao invés de avançar na radicalização destes direitos e na revogação do regime de "escravidão assalariada", rumo à eliminação da classe patronal e à instituição do socialismo, quer, simplesmente, revogar, na prática (pela "flexibilização", que significa a não-obrigatoriedade de cumprimento da lei pelos patrões) a velha CLT, já bastante desfigurada pela ditadura (que revogou, com a instituição do FGTS, o direito à estabilidade aos dez anos de firma, por exemplo). Tal é a essência das reformas sindicais e trabalhista.

     Os festejados R$ 350,00 sequer permitem sustentar o padrão de vida de um cachorro de madame, mas Lula diz que são um grande feito, bem maior do que a política salarial de Fernando Henrique (seu velho companheiro de militância a serviço dos yankees). A grande maioria do povo brasileiro padece fome, miséria e opressão diante dos patrões (o que se pode comprar com R$ 350,00?), isto quando consegue um emprego, mas o governo petista é tão "ético" socialista e "cidadão", que todo seu mérito social é o velho clientelismo coronelista da pior espécie. O clientelismo puro e simples que sempre foi praticado pelos maiores canastrões de direita (fossem do PMDB ou do PFL): a doação de esmolas para desempregados e trabalhadores cuja renda sequer chega aos pés do milagroso salário mínimo.

     Para que a grande burguesia e os senhores transnacionais do Brasil fiquem tranqüilos, Inácio encontrou a receita perfeita. Se a fome do povo transformar-se em desespero e este começar a reagir, como nos saques populares que ocorriam nos sertões do Brasil dos anos 50 e 60, este pode acabar derrubando os poderosos e instaurando a pau e pedra um governo realmente popular e marchar para a derrogação do capitalismo. Assim, Lula garante a apatia destas multidões oferecendo as migalhas do banquete burguês em troca de votos e conformismo! Nada ficamos a dever, portanto, à velha Roma Imperial da decadência. Já temos o pão, só falta chamar a Dercy Gonçalves para dar o circo (já que o da propaganda eleitoral não tem a menor graça)!

11.10.06

DAS VIRTUDES DA VADIAGEM - 1

     Transcrevo abaixo a primeira parte de mais um dos "Sermões na Igreja de Satanás" (complentando com ele o total de sermões até o momento redigidos):


                                                  DAS VIRTUDES DA VADIAGEM


     Não fôssemos animais infelicitados por um cérebro capaz de ir muito além do conhecimento imediato e imergir nos mais refinados recantos do univero da possibilidade e da emoção, e o trabalho poderia justificar-se como uma "razão de viver" e não a tortura inevitável que a necessidade física da sobrevivência, e da existência em um mundo feito de matéria, nos impõe. Muito ao contrário da pregação hipócrita de seus maiores defensores (bons burgueses seríssimos, de veias túrgidas de gordura, que construíram suas vidas no árduo e austero "trabalho" de amealhar fortuna à custa do trabalho alheio, ou recalcados líderes de "esquerda", contaminados pelo moralismo das sacristias), o embruteceder e massacrante labor nada possui de virtuoso, dignificante ou realizador! É antes um entrave a seres forjados, pela condição que lhes deu a evolução biológica, para o prazer e a aventura e não para a insípida e tediosa rotina de autômatos de carne e osso.

     Seja, porém, pela necessidade de fugir ao suplício da faina diária e recuperar, ainda que abstardado, o paraíso do prazer (só alcançável no mais genuíno e absoluto ócio), seja pelo deleite especial que lhes proporciona o exercício do sadismo, os mais aguerridos e astutos dentre nós arrojaram-nos, historicamente, a obrigação de não apenas mourejar contínua e dolorosamente por nossa própria vida, mas também pela deles, sob cuja prioridade passamos a existir.

     Não bastasse, portanto, o séquito natural de incômodos decorrentes da atividade necessária, rotineira e, intelectual e emocionalmente, limitada e aborrecida (como o afã doméstico) que nos inflige a nossa própria condição mortal individual, o advento da dominação (na forma das correntes físicas da escravidão ou institucionais e ideológicas da servidão e do emprego) transformou o que era um purgatório inarredável no mais completo e exasperante inferno! Se o trabalho "livre" guarda ainda alguma possibilidade de prazer, conforme a solicitação intelectual e estética nele envolvida (um artesão de marcenaria ou oleiro poderá apaixonar-se pelas "obras de arte" que produz no seu torno), o exercido sob as patas do patrão elimina qualquer possibilidade de manifestação autêntica da personalidade e acaba por condicionar todo o restante de nossas vidas.



     Continua no próximo post...